Série: Mixology | 2014

“Uma noite em um bar de Manhattan” ou “a série que eu gostaria de ter inventado”

A proposta é bem simples: uma temporada inteira que se passa em uma única noite, em um bar de Nova York, praticamente “em tempo real”. Os 13 episódios da primeira – e única – temporada de Mixology acompanham 10 pessoas em um badalado bar de Manhattan, e todas as situações que elas passam durante aquelas horas de bebedeira e paquera (Como ninguém teve essa ideia simples e cheia de possibilidades antes?!).

Toda a ideia da série já me chamou a atenção. Me identifiquei de cara com a proposta e dei ainda mais crédito quando vi que ela era dos mesmos criados de Se Beber, Não Case. Intrigado, principalmente, com o formato e a proposta, fui conferir de coração aberto. O problema com uma série como Mixology é que, como ela possui essa proposta um tanto “ousada” de passar uma temporada inteira em uma apenas noite, dando foco nos mesmos 10 personagens interagindo entre si, faz-se necessário uma habilidade incrível dos roteiristas, no que diz respeito ao dinamismo da série. Sem nunca esquecer, claro, que ela é uma série de comédia e esperamos o quê? Rir com ela.

Nos primeiros episódios (para ser mais preciso, nos dois primeiros), notei uma série que tinha potencial e uma ou duas piadas boas. O problema estava nos personagens e no elenco. Alguns personagens eram estereotipados demais e a maioria das atuações pareciam exageradas – obviamente me refiro ao personagem Bruce, vivido por Andrew Santino, que é o típico personagem criado para ser o engraçadão, quando na verdade ele não faz você dar nem aquele sorriso torto de canto de boca. Outros eu via problemas apenas na atuação, como Craig Frank, insosso como Cal; e Adan Canto, como o bartender pegador que tem a função de ficar se fazendo de galã durante todos os episódios. Porém, outros personagens cativam logo de cara, como Liv (mesmo que eu tenha me assustado com aquela voz na primeira vez que a ouvi), Maya, Tom e Jessica (uma das melhores personagens da série, vivida por Alexis Carra em uma atuação precisa).

O que acontece é que à medida que os personagens vão interagindo uns com os outros, você vai se acostumando com eles, e os entendendo. Os velhos dilemas de comédias românticas são discutidos (Qual o momento certo de chegar na pessoa desejada? Peço o telefone logo de cara? Qual a melhor forma de abordagem?) enquanto vamos conhecendo as personalidades dos personagens através de rápidos e ágeis flashbacks. E, sem eu perceber, entre o preparo de um drink e outro, eu me vi apaixonado por Mixology. Apaixonado por aqueles personagens (mesmo que algumas atuações não fossem tão boas ou pontuais assim), torcendo para que um personagem termine com outro e o principal: rindo. Eu ria com Mixology. Ria e queria saber o que ia acontecer depois. Ria e queria saber em quem aquele cara ia chegar depois de levar aquele fora. A partir do terceiro episódio, os roteiristas encontraram o tom das piadas e as encaixaram perfeitamente com cada um dos solteiros, e logo você reparava que ali, naquela noite, tudo era possível. Qualquer um ali poderia terminar com qualquer um, e só essa imprevisibilidade da história já é um mérito muito grande.

Assim como qualquer noite divertida em um bar com os amigos, quando eu parei para reparar, já estava na hora de fechar. E Mixology fez seu Last CallClosing Time com estilo – com direito a um take ótimo, super criativo, em que o bartender avisa que está chegando a hora de fechar e todos os personagens se olham, como se fosse “a hora da verdade” para ver quem vai ficar com quem.

No fim, a sensação que Mixology me deu foi que uma ideia simples foi muito bem desenvolvida e que ela possuía um potencial enorme, visto que novos personagens poderiam ser inseridos e um bar – atmosfera – diferente apresentado a cada temporada. Sem dúvida a série ainda poderia nos render ótimos momentos. Essa primeira temporada, que já foi muito boa, abriria caminho para uma segunda ainda melhor trabalhada e com um elenco ainda melhor. Realmente lamentável seu cancelamento.

É como na vida real: só quando o bar fecha e temos que dar adeus aos personagens de nossa noite é que olhamos para trás e percebemos como nos divertimos. Mixology vai deixar saudades, e pior, vai deixar aquela sensação de que poderíamos ter tido muito mais.

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