Série: The Following – 2ª temporada | 2014

Uma temporada decepcionante para quem esperava um repeteco

Depois de uma primeira temporada embasada nos contos e poemas de Edgar Alan Poe, um professor de literatura/serial killer que resolve escrever um livro em tempo real e muitas (MUITAS) mortes inesperadas, a segunda temporada de The Following começou bem branda, beirando aquelas típicas séries de perseguição ao criminoso.

Um ano após todos os acontecimentos da temporada anterior, é certo que, de agora em diante não seria mais possível continuar com a receita de uma seita anônima e diversas reviravoltas. Com um plot muito mais previsível, a segunda temporada definiu de vez os papéis dos personagens bons e maus, e isso acabou com um elemento importante e bem característico na primeira temporada: a desconfiança do espectador.

Com uma abordagem onde fica mais fácil perceber para onde a história estava indo, a série parece ter escolhido uma vertente que, de certa forma, justificou a sua continuidade (Joe Carroll precisa arrumar mais seguidores), mas também introduziu personagens que não foram aproveitados como poderiam ter sido: ao apresentar Lily e seus filhos gêmeos psicopatas, durante alguns episódios sugeriram uma batalha de titãs no mundo dos serial killers. Mas não foi para esse lado que os roteiristas resolveram desenvolver a história.

Outros exemplos de personagens com grande potencial que, infelizmente, não foram explorados são Mandy – que, nos primeiros episódios ajuda a nos convencer do grande poder de persuasão de Joe, inclusive matando sua própria mãe para protegê-lo – para, depois, ganhar uma consciência que não poderia levá-la a lugar algum que não à sua própria morte; e Micah, dono da seita onde Joe e suas meninas caem de paraquedas, que conseguiu reunir dezenas de seguidores, apenas para ser enganado por Joe e facilitar sua vida no quesito ‘reunir malucos’.

Na verdade, o que me incomodou mais foram as excessivas demonstrações de fraqueza de um personagem que tinha tudo para ser o maior sociopata das séries da atualidade. Foi como ver dois personagens diferentes nas duas temporadas. Fora que não podemos esquecer do clichê maior do mal x bem que se une contra um adversário maior, a fim de defender o objeto de seus desejos.

A série começou com uma premissa tão interessante que acabou sendo deixada de lado para se aprofundar na relação de ódio e, de certa forma, “amor” entre os personagens principais.

Mas The Following teve, sim, uma parte muito boa nesta temporada: depois de passar por tantas coisas e com o ápice do sofrimento jogado em direção de Mike no meio da temporada, este personagem cresceu, passou a agir de forma inesperada e acabou trazendo um pouco da essência da 1ª temporada para a mistura.

A impressão que o final da temporada de The Following deixou foi a de que o ex-agente do FBI e o serial killer continuarão seguindo nesse processo simbiótico, chegando a um ponto em que não conseguirão mais viver fora desse mundo de gato e rato – e as histórias construídas pelos roteiristas para que isso aconteça e a série continue se renovando serão sempre secundárias e planas.

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