Filme: Capitão América 2 – O Soldado Invernal (Captain America 2 – The Winter Soldier) | 2014

Parece, mas não é

Depois de um péssimo filme de estreia, eis que o herói da Marvel que carrega as cores dos Estados Unidos no uniforme surge em mais uma tentativa de cair no gosto do público. Temos expectativas boas para isso? Não. Esperamos um filme de ação revolucionário? Não. Temos certeza de que será apenas mais um filme insosso e repetitivo da Marvel? SIM!
Dessa vez, o Capitão América/Steve Rogers, enquanto tenta se adaptar às novidades do século XXI (o que resulta em tiradas bem pensadas como a fala da Viúva Negra “Vim buscar um fóssil”), precisa lidar com um mal que vem de onde? Imaginem! De dentro da imaculada e aparentemente impenetrável SHIELD.

Eu vi comentários na internet de críticos dizendo que a história remete aos antigos filmes de espionagem, que é uma história elaborada e tudo mais… Digo, sério? As conclusões que podemos chegar ao ver tais reações são: 1) está mais fácil de impressionar a crítica ou 2) o comodismo e falta de criatividade da Marvel já deixou as pessoas acostumadas.

Você percebe que essa falta de criatividade e inovação é evidente quando um dos melhores e mais bem pensados momentos do filme está logo no início, quando o Capitão puxa um caderno do bolso onde ele anota o que ele “perdeu da humanidade” enquanto estava congelado; e o mais interessante é que o conteúdo do caderno muda de acordo com o país que o filme está sendo exibido (por exemplo, nas sessões aqui do Brasil, na lista consta Ayrton Senna, Xuxa, Wagner Moura, Chaves e até Mamonas Assassinas!). Uma simples, porém interessante e criativa ideia. Mas a inovação pára por aí.

O que se segue é uma trama que pode ser caracterizada como um “parece, mas não é”. O filme todo, em si, é um eterno “parece, mas não é”: parece que a trama é diferente, mas não é; parece que o vilão é muito poderoso, mas não é; parece um roteiro elaborado, mas não é; parece um filme inédito, mas não é. Eu acho inacreditável a capacidade da Marvel, mesmo com seu próprio estúdio (que está lucrando cada vez mais e lançando um filme atrás do outro), lançar ao público obras tão sem alma e que apresentam praticamente nada novo, filme após filme.

Chris Evans e Scarlett Johansson podem até se esforçar para dar alguma credibilidade ao longa, mas fica difícil completar essa missão com um roteiro que estica sua história ao máximo, por quase duas horas e meia, com reviravoltas que além de clichês, são desinteressantes (sem falar na sensação de “falta de colhão” dos roteiristas para, por exemplo, se desapegar de certos personagens); cenas didáticas de revelações de planos (sim, elas estão lá, é claro!) e, obviamente, muito tiro, porrada e bomba.

No fim, tenho que admitir que, para quem gosta, Capitão América – O Soldado Invernal é um prato cheio. Mas, o que o filme provocou em mim foi uma reflexão sobre o que estamos consumindo, se são produtos de qualidade ou a mesma história vestida de uniformes e cores diferentes. Se você pensar neste segundo capítulo da história do Capitão comparando-o com o primeiro, de fato, este é um avanço; mas, por si só, este é apenas mais um filme da Marvel Studios que vai ser esquecido na mesma velocidade em que encheu os cofres da empresa de dinheiro.

2,5

Captain America: The Winter Soldier | 2013

Direção: Anthony Russo, Joe Russo

Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely

Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Sebastian Stan

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